Usar GLP-1 e comer menos não é o mesmo que comer melhor.
- Dra. Diana Sá - Endocrinologista

- 4 de jun.
- 1 min de leitura

Um estudo apresentado no Congresso Europeu de Obesidade em 2026 trouxe um dado que merece destaque: 88% das pessoas em uso de medicamentos GLP-1 não atingem a ingestão diária recomendada de proteína.
O que tem acontecido, o GLP-1 reduz o apetite, consequentemente a pessoa come menos. Mas come menos de tudo, sem melhorar o que coloca no prato. Ou seja, quem já comia pouca proteína passou a comer ainda menos e quem já tinha carências nutricionais ficou ainda mais exposto a elas. O medicamento reduziu a quantidade de comida no prato, mas os problemas de qualidade na alimentação continuaram, e se agravaram.
Quando a ingestão de proteína cai dessa forma, o corpo não perde só gordura. Ele perde músculo. E perda de massa muscular significa metabolismo mais lento, menos força, mais risco de sarcopenia, especialmente em mulheres na perimenopausa e menopausa, que já estão vulneráveis a essa perda.
O medicamento faz a sua parte. Reduz fome, promove saciedade, melhora o controle metabólico. Mas ele não escolhe o que você coloca no prato. Não garante proteína suficiente, não previne deficiência de vitamina D, ferro ou vitaminas do complexo B, que o mesmo estudo aponta como consequências frequentes do uso sem acompanhamento nutricional.
Comer menos com GLP-1 sem orientação nutricional pode significar emagrecer perdendo o que não deveria perder.
O acompanhamento nutricional não é complemento do tratamento. É parte dele.
Fiquem atentos…Peso menor na balança não é sinônimo de saúde. Um corpo magro também adoece quando não recebe o que precisa.




Comentários